Garanto que você já reclamou do preço da gasolina esse ano, ao menos a campanha com essa bandeira é grande… ou quem sabe você reclamou do preço do ônibus, ou do preço da faculdade talvez, se você faz universidade particular. Esses aumentos não são só a inflação. Todo mundo sabe que o Brasil está crescendo, a população está enriquecendo, a classe C hoje está cada vez mais perto da B do que da D, e esse papo que todo mundo ouve e fala. E isso é muito bom, mais pessoas tem mais acesso a serviços que todos já deveriam ter, quem não acha bom tirar pessoas da pobreza, não é mesmo? Mas infelizmente isso tem um lado sordido.
O Brasil descobriu a poucos anos um reserva de petróleo gigantesca sob seus domínios, mais precisamente sob as águas do atlântico, Alguém aí tem dúvida que a Petrobras poderia jogar lá em baixo o preço dos combustíveis nacionais mesmo se baseando no preço do produto no mercado internacional? O que é sempre a desculpa dada. Quem vive em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte ou Rio de Janeiro sabe do trânsito que se enfrenta todos os dias para se ir ou voltar do trabalho, da faculdade ou do colégio, nossas grandes cidades vivem momentos pré-colapso nervoso e é lá onde o combustível é mais caro.
A cada ano aumenta o numero de pessoas que adquirem carros, sem contar todos os carros vendidos no país nos últimos 30 anos e que continuam nas ruas. Cá entre nós, isso não tem como dar certo. Já dizia o velho ditado popular que fala mais ou menos assim “Quer atacar um cidadão de maneira certeira? Ataque no lugar mais sensível: o bolso.”
Pode não parecer, mas aumentar o preço dos combustíveis acarreta que pessoas na beirada de uma situação financeira confortável para utilizar um carro passem a andar de ônibus ou metrô. Quanto menos carros nas ruas, menos é necessário se investir em asfalto ou em criação de novas alternativas viárias, mas aí se deveria investir mais em transporte público, certo?! Então é aí que entra o aumento dos ônibus.
As pessoas que não tinham condições de pagar o dinheiro da gasolina aderiram ao ônibus e ao metrô, e as pessoas que estão na beirada da situação financeira de decidir ir ao trabalho de ônibus ou bicicleta vão começar a optar pela segunda, afinal, “não dá mais, o ônibus tá muito caro!’ É melhor sair de casa mais cedo do que faltar dinheiro para comer ao final do dia, qualquer um concorda.
Mas e aí, como assim o preço da faculdade tem a ver com isso? O governo, para não investir em universidades públicas estaduais ou federais começou a comprar vagas em instituições privadas visando dar chance àqueles que nunca tiveram chance de fazer um curso de terceiro grau, nada mais justo, e que tem meu apoio total (o fato de dar chance as pessoas).
O ponto crítico para o estudante-cliente está na compra de vagas pelo governo, ele compra as mesmas aos preços que elas realmente custam, não ao preço que quem estuda paga, ou seja, pegando menos do que os estudantes que pagam para estudar. Aí quem sofre? O estudante que tem que sustentar estas instituições privadas (grande parte inclusive oficialmente designadas de instituições sem fins lucrativos) a lucrar a custa de cidadãos que tem os mesmos direitos que todos os outros de estudar ao preço que o estudo vale.
Na sociologia esse tipo de situação pode ser definida como uma ocasião com elementos de controle social, uma sórdida realidade do mundo em que vivemos. E quando eu digo que a minha severa crítica a esquerda e à direita é que elas não saberem se reinventar ninguém entende porque eu afirmo que elas usam as mesmas armas usadas mundo a fora a mais 100 anos e que nunca realmente deram certo ao modo que se deveria.




